Cornélio Procópio e Região

fOTO ANTIGA DE CORNELIO

Os movimentos ocupacionais ou de frentes pioneiras de ocupação territorial, não podem passar despercebido. O fenômeno “Norte do Paraná” é um exemplo. Poucas notícias existem de acontecimentos processados de forma tão rápida e de efeitos tão surpreendentes que lhe sejam similares. Em menos de quarenta anos, a partir de 1920, uma área de aproximadamente 71.637 quilômetros quadrados, ou seja, cerca de 36% do território paranaense transforma-se de densa floresta, absolutamente despovoada, em região que, em 1960, contava com cerca de 1.843 mil habitantes (34% da população do estado) distribuídos em 172 cidades, algumas de porte considerável.

Determinar quais teriam sido as verdadeiras causas desse fenômeno ímpar na história de nosso país, não constitui tarefa das mais fáceis, pois ele foi resultante da conjugação de vários fatores, dentre os quais podem ser destacados: a qualidade das terras, a situação da economia nacional no contexto internacional, depois da crise de 1929, a evolução da cafeicultura paulista nesse período, e, talvez de modo especial, o surto de industrialização de São Paulo.

É evidente que os fenômenos de natureza econômica assumem no caso importância considerável, pois, como se sabe, a ocupação da parte norte do território paranaense tem uma história em grande parte comum à da evolução da cafeicultura.

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Contudo, nas três últimas décadas do século XIX, o movimento ocupacional do Norte paranaense tomou alento. Em 1865, a cafeicultura paulista já estava próxima dos limites do Estado. Exatamente por essa época, Thomas Pereira da Silva, mineiro, atraído pela fama da exuberância das terras vizinhas ao rio Itararé, vem para a região e adquire, em território paranaense, à margem esquerda do Itararé vasta áreas de terras, às quais faz convergir grande número de conterrâneos seus, dando origem, em 1862, a um núcleo urbano, inicialmente chamado de Colônia Mineira.

A região escolhida, margeada pelos rios Paranapanema, Tibagi, Cinzas, Laranjinha e das Antas, detentora de solos de excepcional qualidade, será um centro de convergência de mineiros e paulistas. Assim é que, rapidamente, os núcleos urbanos se multiplicaram, surgindo, ainda no século XIX, Tomasina (1865), Santo Antonio da Platina (1866), Wenceslau Brás e São José da Boa Vista (1867) e Jacarezinho (1900). No século XX, esse processo, que se tornou contínuo, determinou o aparecimento de outros importantes núcleos, ou seja, Cambará (1904), Bandeirantes (1921), Cornélio Procópio (1924) e Andirá (1926). Tão rápido e desordenado era então o movimento ocupacional do norte do Estado, que o presidente provincial, já em 1892, se preocupava em estabelecer algumas normas reguladoras dessa ocupação.

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Se lembrar que a cafeicultura é uma atividade quase que exclusivamente voltada para o mercado externo e que sua exportação se dava, por essa época, principalmente pelo Porto de Santos, pode-se perceber, imediatamente, que a falta de comunicações era um problema que deveria ser superado de forma mais rápida possível. Assim é que, apenas registrando o primeiro insucesso, cuidou-se da construção de uma rodovia que ligasse a região norte paranaense a São Paulo, ao mesmo tempo em que se iniciaram os estudos para a conexão ferroviária com a Sorocabana, cujos trilhos já haviam atingido Ourinhos. No Período de 1922/1925, estenderam-se estes até Cambará, com a compra da Cia. ferroviária Sorocabana pela Cia. Ferroviária São Paulo-Paraná em 1928 dando novo ritmo a construção de nossa ferrovia. Em 1932 os trilhos atingiram Jataizinho, dois anos foram gastos para se construir a ponte sobre o Tibagi, nove anos depois, em 1943, os trilhos já atingiram Apucarana.

Merecem particular referência nesse novo movimento ocupacional do Norte do Estado duas iniciativas. A primeira delas, de dimensões relativamente modestas, foi realizada a partir de 1931, em áreas ainda não ocupadas do chamado Paraná Velho, vizinhas a Cornélio Procópio, por duas companhias constituídas de capitais japoneses, a “Brazil Tokushoku Kaisha” – Bratac, e a “Nambei Tochikubushiri”, que resultam no aparecimento de duas novas cidades – Assai e Uraí, cuja base econômica não era o café, mas especialmente o algodão e cuja população não era constituída de nacionais, mas de japoneses emigrantes.

A segunda iniciativa foi o processo ocupacional realizado pela Companhia de Melhoramentos Norte do Paraná, adquirindo meio milhão de alqueires entre o rio Tibagi e o Paraná, tinha sua origem na Inglaterra e organizada sob o nome de “Brazil Plantations Syndicate Ltd.” para o plantio de algodão, mas, o insucesso do empreendimento determinou em 1925, a mudança de planos. Na tentativa de ressarcir-se dos prejuízos sofridos organiza a “Paraná Plantations Ltd.”, cuja subsidiária no Brasil chamou-se “Cia. de Terras Norte do Paraná”, empresa colonizadora.

A estrada de ferro e a rodovia estendiam-se quase paralelamente, ao longo do espigão principal do Norte paranaense, entrelaçando numerosos núcleos urbanos que iam surgindo rapidamente, pouco distantes uns dos outros, e entre eles o núcleo de Cornélio Procópio.

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A colonização, o surgimento e o desenvolvimento da cidade estão intimamente relacionados com a chegada da estrada de ferro. A ferrovia atraiu para a região aventureiros e trabalhadores portugueses, ingleses e pioneiros, em sua maioria paulistas e mineiros, além de outros que se somaram na abertura das picadas em meio à mata. A vinda do Príncipe de Gales, marcada por uma grande recepção, dá uma idéia da importância da instalação da ferrovia na região. Assim em 1930, o percurso ferroviário que vai de Ourinhos a Cornélio Procópio foi inaugurado com a passagem da “Maria Fumaça”.

Na época havia muitas divergências políticas provocando até algumas invasões de terras, e Francisco Junqueira e sua esposa não puderam fazer o loteamento de terras planejado. A fundação do município só ganhou força realmente com a chegada de Antonio Paiva Jr. e Francisco Moreira da Costa, em 1933.

Aquela que era um simples patrimônio de Cambará e Distrito Judiciário de Bandeirantes transforma-se no município de Cornélio Procópio, criado em 1938, graças ao emprenho de uma comunidade composta por personalidades então residentes no Km 125, durante o governo de Manoel Ribas.

Seu relevo é acidentado e seu solo laterítico, de origem vulcânica, denominado de terra roxa, é fértil e poderoso, tendo sido o primeiro fator determinante da colonização regional.

Com área aproximada de 635 km², é ricamente provida de mananciais aqüíferos. Seu clima é denominado de Subtropical Úmido Mesotérmico, com temperaturas médias anuais acima de 22ºC, sendo o mês mais quente janeiro e o mais frio julho, quando já ocorreram temperaturas abaixo de 0ºC, com a incidência de geadas. O índice pluviométrico normal é de 1.200 mm, sendo as chuvas concentradas no período de outubro a março e escassas de abril a setembro. No verão predominam os ventos alíseos de Nordeste e no inverno, os alíseos de Sudeste.

A primitiva vegetação constituía-se de mata pluviotropical e subtropical, por sua proximidade do Trópico de Capricórnio, que foi degradada com a implantação da agricultura, restando amostras de sua formação no Bosque Municipal e no Parque Estadual Mata São Francisco.

Dados Atuais

A população atual está estimada em 48.615 (cinqüenta mil) habitantes, dos quais 80 % concentram-se na zona urbana e 20% na zona rural. De acordo com os resultados do IBGE (2016), toda a região apresenta um crescimento contínuo da população, reflexo, entre outros fatores, da baixa taxa de mortalidade infantil.

Cornélio Procópio possui um IDH (índice de desenvolvimento humano) de 0,759. O PIB per capita é de R$ 18.988,26. (Dados IBGE 2012).

A potencialidade econômica do Município deixou de ser exclusivamente agrícola a partir da década de 70, anteriormente centrada principalmente na cultura do Café. A partir de 1970, Cornélio Procópio deixou a dependência total da agricultura, passando para a economia agro-industrial, com o surgimento de diversas indústrias de beneficiamento de produtos agrícolas, com destaque para Cia. Iguaçu de Café Solúvel e Kanebo Silk do Brasil S/A.

A agropecuária, hoje, mais racional, mais moderna, mais intensiva e com maior poder produtivo, continua a ter um grande papel na economia do Município, respondendo por aproximadamente 8% do PIB Municipal. Com a diversificação das culturas, junto com o café, produz soja, trigo, milho, cana-de-açúcar e diversos outros produtos comerciais alimentares, com destaque no setor frutífero.

Na pecuária, o Município e a região, possuem produtores de diversas raças; com destaque nacional em bovinos da raça nelore e marchigiana.

A força do setor é tão forte, que o Município possui uma Feira Agropecuária de Médio Porte – EXPOCOP, que já se destaca como uma das principais feiras em comercialização do Paraná, sendo realizada sempre no mês de outubro.

Com o desenvolvimento de Cornélio Procópio, a indústria, inicialmente voltada ao setor agrícola, diversificou, principalmente com o surgimento da formação de mão-de-obra especializada, formada pelas escolas técnicas que foram implantadas no Município: UTFPR, SESC, SENAC e Escola do Trabalho. Com o apoio do Executivo Municipal, através de incentivos e criação de Parques Industriais. Cornélio Procópio já conta com Indústrias nas áreas de Confecções, Tornearia Mecânica, Metalurgia e de Eletroeletrônicos. Hoje, o setor industrial responde por aproximadamente 31% do PIB Municipal.

Possui toda infra-estrutura urbana, com rede de água e esgoto e ligações elétricas servindo mais de 95% da população, 06 Agências Bancárias, 05 Cartórios, 47 Escritórios Contábeis, 05 Imobiliárias, 09 Postos de Saúde, 04 Hospitais (01 Regional), Clubes de Serviços, 70 Estabelecimentos de Ensino (1º e 2º Grau), 02 Estabelecimentos de Ensino Especial, 01 Estabelecimento de Ensino Técnico (UTFPR) e 04 Estabelecimentos de Ensino Superior: UENP – Universidade Estadual do Norte do Paraná – Campus Cornélio Procópio; UTFPR – Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Campus Cornélio Procópio; FACED – Faculdade Educacional de Cornélio Procópio; FACCREI – Faculdade Cristo Rei.

Na área de laser e esporte, possui vários hotéis e 01 Hotel Fazenda (Aguativa Golf Resort), 01 Teatro, 01 Bosque Municipal, 01 Parque Ecológico (Mata São Francisco), 01 Museu, 01 Museu de História Natural, 01 Parque de Exposições Agropecuárias, 02 Estádios, 12 Ginásios Esportivos, 11 Praças Públicas e 20 Quadras Esportivas.

No setor de comunicações o Município está muito bem servido. São 03 Emissoras de Rádio FM, 02 Emissoras de Rádio AM, 01 Emissora de Televisão (Record), 02 Jornais Semanais.

Na área de transportes, Cornélio Procópio possui 01 Aeroporto para aeronaves de médio porte, e uma malha rodoviária totalmente asfaltada, ligando-a a todos os Municípios da região.

No setor de segurança, o Município conta com Corpo de Bombeiros, Batalhão e Cia. da Polícia Militar, Batalhão de Trânsito, Polícia Rodoviária Estadual, Subdivisão da Polícia Civil e Cadeia Pública.

Na área de representação de classes e sociedades, a Cidade possui 10 Sindicatos de Classe, 09 Associações Recreativas, 05 Associações Profissionais, 24 Associações de Bairros e 02 Associações Religiosas.

Na área Judicial, Cornélio Procópio é sede da Comarca, com Fórum local, onde estão instaladas as Varas Cível, Criminal, de Família, Infância e Juventude, Eleitoral, Juizado Cível e Criminal, Ministério Público, Junta de Conciliação e Julgamento, Subseção da OAB. O Município possui Comissão de Conciliação Prévia Trabalhista.

Na área educacional, em média, cerca de 900 (novecentos) alunos concluem o ensino médio todos os anos no município. Ao todo, Cornélio Procópio possui cerca de 10.000 (dez mil) alunos matriculados nos ensinos pré-escolar, fundamental e médio, entre as escolas públicas e privadas.

Com o surgimento da Faculdade Cristo Rei, Cornélio Procópio ampliou sua influência de maneira direta, atingindo aproximadamente 30 (trinta) Municípios e 12 (doze) Distritos, pertencentes aos Estados do Paraná e de São Paulo, alcançando aproximadamente uma população de 1.000.000 (um milhão) de habitantes nos dois Estados.

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